Especialista questiona eficácia de teste de triagem de câncer
Especialista alerta que aprovação de teste multicâncer pela FDA pode levar a diagnósticos desnecessários e danos a pacientes sem comprovação.
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O pesquisador H. Gilbert Welch publicou um artigo de opinião alertando para os riscos da aprovação do teste multicâncer Galleri, desenvolvido pela empresa Grail, sem evidências de que o exame reduza a mortalidade por tumores.
O debate central reside na distinção entre a capacidade de detectar a presença de câncer e a eficácia real em salvar vidas. Segundo Welch, o aumento no número de diagnósticos não representa progresso se não houver uma diminuição efetiva nas mortes causadas pela doença. O autor argumenta que a identificação precoce pode levar ao sobre-diagnóstico de tumores que não seriam fatais ou que não possuem cura, submetendo pacientes a danos desnecessários.
Dados do estudo PATHFINDER 2 indicam que o teste Galleri apresentou uma sensibilidade de 39,3%, o que significa que cerca de seis em cada dez casos de câncer não foram detectados pelo exame. Atualmente, o produto é comercializado na modalidade de pagamento direto pelo paciente, mas ainda aguarda a aprovação oficial da FDA para uso clínico ampliado.
A questão ganhou relevância após a reunião do Painel de Genética Molecular e Clínica da FDA, realizada em 23 de setembro de 2026, onde foram discutidos os comentários públicos sobre a tecnologia. A agência reguladora dos Estados Unidos agora avalia se as evidências apresentadas pela Grail são suficientes para comprovar o benefício clínico do teste antes de conceder qualquer autorização regulatória.