Falta de protocolos para HPV eleva risco de câncer em pessoas trans
Falta de diretrizes e preconceito criam barreiras no rastreamento do HPV, levando a diagnósticos tardios e câncer em pessoas transgênero.
Foto: Reprodução
A ausência de diretrizes clínicas específicas para o rastreamento do papilomavírus humano (HPV) na população transgênero tem resultado em diagnósticos tardios de doenças oncológicas, incluindo casos avançados de câncer em neovaginas.
Embora decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) assegurem o acesso de pessoas trans a serviços de saúde, a aplicação prática dessas garantias enfrenta obstáculos significativos. O preconceito e a discriminação dentro das unidades de atendimento ainda funcionam como barreiras que impedem o acesso pleno ao cuidado preventivo.
Especialistas alertam para uma lacuna técnica importante no sistema de saúde. Segundo Pilar Estevez, oncologista e diretora do corpo clínico do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), ainda não existem protocolos definidos para o acompanhamento dessa população, embora exames laboratoriais já permitam detectar inflamações com potencial cancerígeno.
Janaina Janine, doutora em enfermagem pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), reforça que a carência de diretrizes estabelecidas agrava o cenário, levando a complicações que poderiam ser evitadas com um monitoramento adequado.
Além das dificuldades institucionais, a escassez de pesquisas científicas voltadas especificamente para a saúde da população trans limita a oferta de um cuidado integral, mantendo o grupo em uma situação de maior vulnerabilidade diante de infecções pelo vírus.