Falha no diagnóstico da perimenopausa atrasa tratamentos
Sintomas como ansiedade e insônia são ignorados, levando a diagnósticos tardios e tratamentos equivocados para a perimenopausa.
Foto: Reprodução
A dificuldade em associar sintomas como ansiedade, insônia e lapsos de memória à fase de transição hormonal tem levado mulheres a diagnósticos tardios e tratamentos inadequados tanto na rede pública quanto na privada.
O período, que antecede a última menstruação, pode apresentar manifestações clínicas até quatro anos antes da menopausa, mesmo em pacientes que mantêm o ciclo menstrual regular. A falta de capacitação profissional para identificar essas alterações precoces é apontada como o principal entrave para o cuidado correto.
Segundo a endocrinologista Ana Priscila Soares, membro da Associação Brasileira de Climatério (Sobrac), é comum que essas pacientes sejam encaminhadas a especialistas de outras áreas, como psiquiatras ou ortopedistas, devido a queixas isoladas como dores musculares ou quadros de ansiedade e depressão. Esse fluxo desvia a mulher do acompanhamento especializado necessário para o climatério.
Cristina Bellotti, diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) em São Paulo, reforça que o desconhecimento sobre o quadro clínico resulta no uso de medicamentos desnecessários. A professora de ginecologia da USP, Isabel Cristina Sorpreso, destaca que a terapia hormonal, quando indicada corretamente, é capaz de aliviar as queixas e prevenir complicações de saúde associadas a essa etapa da vida.
O debate sobre o tema ganha relevância com a proximidade do Dia Mundial da Menopausa, celebrado em 18 de outubro, data que busca ampliar a conscientização sobre os desafios enfrentados pelas mulheres durante essa transição hormonal.
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