Estudo liga danos na placenta ao autismo em camundongos machos

Inflamação na placenta durante gestação pode ser chave para autismo em meninos, aponta estudo.

The Health Brief • • 2 min de leitura
Immune activation during pregnancy induces a breakdown in the structure of the junctional zone, where maternal and fetal components of the placenta meet (Cheadle lab/CSHL)

Immune activation during pregnancy induces a breakdown in the structure of the junctional zone, where maternal and fetal components of the placenta meet (Cheadle lab/CSHL)

Pesquisadores do Cold Spring Harbor Laboratory identificaram uma relação direta entre inflamações durante a gestação e o desenvolvimento de traços autistas em fetos do sexo masculino, revelando uma possível explicação biológica para a maior prevalência do transtorno em meninos.

O estudo, conduzido pelo professor associado Lucas Cheadle e pela pós-doutoranda Irene Sanchez Martin, demonstrou que danos específicos nas células do espongiotrofoblasto da placenta ocorrem antes mesmo da diferenciação sexual do cérebro. Em testes laboratoriais, a simulação de uma resposta imune materna durante o período de 12,5 dias de gestação foi suficiente para desencadear alterações no desenvolvimento de cerca de um terço dos fetos machos em apenas 24 horas.

Um dos achados mais relevantes da pesquisa é a proteção natural observada nas fêmeas da espécie, que não apresentaram os mesmos sinais de desenvolvimento alterado sob as mesmas condições. Essa disparidade sugere que a placenta atua como um ponto crítico de vulnerabilidade, funcionando como uma porta de entrada para o autismo em indivíduos específicos.

Segundo Lucas Cheadle, a descoberta reforça a necessidade de ampliar o foco das investigações sobre o transtorno do espectro autista para além do cérebro. O autor destaca que a ativação imune materna e as mudanças estruturais na placenta são fatores determinantes que merecem atenção científica.

Os resultados, publicados em novembro de 2026, abrem caminho para novas estratégias de intervenção precoce. Ao identificar a saúde da placenta como um alvo terapêutico potencial, a equipe do CSHL espera desenvolver métodos que possam mitigar riscos ambientais durante a gravidez, contribuindo para o entendimento das origens biológicas do autismo.

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