Estudo aponta queda no volume de fala cotidiana e riscos cerebrais
Menos conversas diárias podem afetar o desenvolvimento e a manutenção de habilidades cognitivas essenciais, alertam cientistas.
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Uma análise publicada na revista Perspectives on Psychological Science indica que a comunicação verbal diária entre as pessoas registrou uma redução significativa nas últimas duas décadas, levantando preocupações sobre o impacto cognitivo dessa mudança de hábito.
Dados coletados entre 2005 e 2019 apontam uma queda de 28% no número de palavras faladas diariamente. A estimativa é de que a média de fala tenha diminuído em 338 palavras a cada ano durante esse período, refletindo uma transformação profunda na forma como os indivíduos interagem.
Especialistas explicam que a conversa presencial exige um esforço cognitivo complexo, envolvendo áreas do cérebro responsáveis pela linguagem, memória e atenção. A substituição dessas interações por trocas digitais pode comprometer o desenvolvimento e a manutenção dessas habilidades essenciais ao longo da vida.
O fenômeno está diretamente ligado à popularização dos dispositivos móveis e das redes sociais. O hábito de encontrar pessoas para conversar, seja em ambientes familiares ou sociais, tem sido progressivamente substituído por interações mediadas por telas.
Catarina Pignato observa que, mesmo em encontros presenciais, a atenção permanece fragmentada. Segundo ela, é comum que pessoas em jantares ou reuniões mantenham o foco em aplicativos como Instagram, WhatsApp e TikTok, o que acaba por limitar o fluxo e a qualidade da comunicação verbal direta.