Técnica inédita recupera clitóris após cirurgia de câncer
Nova técnica cirúrgica devolve sensibilidade e orgasmo a pacientes com câncer de vulva.
À esquerda, a ilustração de um clitóris; à direita, ilustração geral do aparelho reprodutor feminino, com útero, trompas e ovários (Janis/Adobe Stock)
Pesquisadores holandeses desenvolveram um procedimento cirúrgico que permite a reconstrução do clitóris em pacientes submetidas à retirada de tumores na vulva, devolvendo a sensibilidade erógena e a capacidade de orgasmo.
O método foi criado por uma equipe do Centro Médico da Universidade Radboud, na Holanda, liderada pela ginecologista oncologista Mieke ten Eikelder e pelo cirurgião plástico Tim Nijhuis. A técnica adapta o método Foldès, originalmente aplicado em casos de mutilação genital, para o contexto oncológico.
Durante a cirurgia, após a remoção do tumor com as devidas margens de segurança, o cirurgião libera o ligamento que fixa o clitóris ao osso do púbis. Esse movimento permite o reposicionamento do órgão sem comprometer nervos ou vasos sanguíneos. O procedimento é finalizado com um enxerto de mucosa da parte interna da bochecha na nova ponta do clitóris e a reconstrução de uma capa de pele que simula o prepúcio, adicionando apenas 15 minutos ao tempo total da operação.
Os resultados, publicados na revista científica Gynecologic Oncology, acompanharam 18 mulheres com idade mediana de 58 anos. Entre elas, 16 relataram ter conseguido atingir o orgasmo clitoriano após a intervenção. Segundo Mieke ten Eikelder, a prática clínica anterior focava apenas no fechamento da lesão, ignorando a preservação da qualidade de vida sexual e a funcionalidade do órgão.
No Brasil, Alexandre Piassi Passos, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, ressalta a importância da inovação. Para o especialista, o avanço corrige uma disparidade histórica na medicina, onde a reconstrução genital masculina após o câncer é realizada há décadas, enquanto a feminina carecia de atenção equivalente.
O câncer de vulva representa cerca de 5% dos tumores ginecológicos. Embora tradicionalmente associado a mulheres acima dos 60 anos, médicos brasileiros observam um aumento de casos em pacientes mais jovens, muitas vezes relacionado ao HPV.
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