Estudo clínico avança na restauração da visão via optogenética
Terapia optogenética com óculos especiais devolve sensibilidade à luz e melhora detecção de objetos em pacientes com doença ocular degenerativa.
Foto: Reprodução
Pesquisadores internacionais divulgaram resultados promissores sobre o uso da terapia optogenética para tratar a retinite pigmentosa, uma doença degenerativa que afeta as células fotorreceptoras da retina.
O estudo clínico, conduzido por uma equipe liderada por José-Alain Sahel, da Universidade de Pittsburgh, e Botond Roska, do Instituto de Oftalmologia Molecular e Clínica de Basileia, avaliou 10 pacientes cegos. A metodologia empregada combina terapia gênica para tornar as células ganglionares da retina sensíveis à luz com o uso de óculos especiais de estimulação.
Os dados apontam que 7 dos 10 participantes apresentaram maior sensibilidade à luz após o tratamento. Deste grupo, 6 pacientes atingiram o limiar definido pelos pesquisadores para uma melhora clinicamente significativa. Além disso, em testes comportamentais realizados com 8 pacientes, metade demonstrou progresso na capacidade de detectar ou localizar objetos.
Quanto à segurança, o procedimento foi considerado adequado dentro dos parâmetros do estudo. A maioria dos eventos adversos oculares registrados foi classificada como leve ou moderada. Um evento grave foi relatado logo após a injeção, mas foi resolvido em poucos minutos.
Stefan Futterknecht, coautor da pesquisa, destacou que o trabalho valida a eficácia da técnica em múltiplos pacientes, superando resultados anteriores que se limitavam a casos isolados. O especialista ressaltou que os dados fornecem uma base sólida para o desenvolvimento de futuras terapias mais eficazes.
A iniciativa, que conta com o envolvimento da empresa GenSight Biologics, representa um desdobramento da prova de conceito realizada em 2021. Embora a optogenética tenha ganhado destaque global com o Prêmio Nobel de Medicina de 2026, os pesquisadores seguem focados em aprimorar a tecnologia para aplicações clínicas futuras, sem prazos definidos para novas etapas.