Salamandras-de-fogo revelam brilho secreto sob luz ultravioleta
Salamandras venenosas revelam brilho surpreendente em estudo inédito sobre suas secreções tóxicas.
Fire salamander (Salamandra salamandra) exhibiting a biofluorescent glow on its ventral side. Credit: Bernat Burriel-Carranza, Museu de Ciències Naturals de Barcelona, Spain (Reprodução/ScienceDaily - Strange & Offbeat)
Pesquisadores identificaram que a espécie, amplamente estudada na Europa, emite fluorescência nas cores verde e ciano quando exposta a radiações específicas.
A descoberta foi detalhada em um estudo publicado na revista Royal Society Open Science em maio de 2026. A equipe, composta por cientistas do Museu de Ciências Naturais de Barcelona e do Instituto Max Planck de Ecologia Química, observou o fenômeno em espécimes encontrados em florestas na Espanha e na Alemanha.
O brilho ocorre por meio de biofluorescência, processo no qual a pele e as secreções tóxicas do anfíbio absorvem a luz ultravioleta e a reemitem em comprimentos de onda visíveis. As áreas mais afetadas pelo fenômeno são as laterais e a parte inferior do corpo, regiões onde se concentram as glândulas responsáveis pela defesa química do animal.
Um dos pontos mais notáveis da pesquisa é a persistência da luminescência. As secreções tóxicas liberadas pelas salamandras mantêm o brilho por um período superior a 24 horas após o contato com o ambiente externo.
Bernat Burriel-Carranza, autor principal do estudo, destacou que a revelação em uma espécie documentada há mais de 250 anos demonstra como novas ferramentas de observação podem expor segredos biológicos inesperados. Por sua vez, o pesquisador Andrés Brunetti ressaltou a surpresa da equipe, dado que a composição química das secreções da salamandra-de-fogo é objeto de estudo há décadas sem registros anteriores de fluorescência.
Embora a biofluorescência já tenha sido catalogada em outros grupos de animais, esta é a primeira vez que o comportamento é registrado na Salamandra salamandra, espécie atualmente classificada como vulnerável na Lista Vermelha da IUCN. A função biológica exata do brilho ainda não foi comprovada, restando como hipóteses a comunicação, o reconhecimento entre parceiros ou o reforço de sinais de alerta contra predadores.
Atualmente, os pesquisadores concentram esforços na identificação dos compostos químicos responsáveis pela fluorescência, etapa que ainda não possui conclusão ou prazo definido.
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