Pesquisadores pedem emergência global por crise climática

Especialistas alertam para aceleração de danos sanitários e econômicos globais e pedem reconhecimento formal da OMS.

The Health Brief • • 2 min de leitura
Árvore seca isolada em campo ressecado no município austríaco Leopoldsdorf im Marchfelde, em agosto; Europa enfrentou fortes ondas de calor após períodos de seca recorde que levaram os rios a níveis historicamente baixos… (Harald Schneider/AFP)

Árvore seca isolada em campo ressecado no município austríaco Leopoldsdorf im Marchfelde, em agosto; Europa enfrentou fortes ondas de calor após períodos de seca recorde que levaram os rios a níveis historicamente baixos… (Harald Schneider/AFP)

Grupo de quase 150 especialistas de mais de 30 países solicita que a Organização Mundial da Saúde declare a crise climática como uma emergência de saúde pública global, citando a aceleração de danos sanitários e econômicos na última década.

O pedido, formalizado em 28 de outubro de 2026, baseia-se na décima edição do relatório Lancet Countdown sobre Saúde e Mudanças Climáticas. O documento aponta que os impactos do aquecimento global intensificaram-se significativamente entre 2016 e 2025 em comparação ao período anterior.

Dados do relatório indicam que, apenas em 2023, foram registradas cerca de 710 mil mortes relacionadas ao calor. No acumulado entre 2016 e 2023, o número de óbitos chega a quase 3 milhões. Além da crise sanitária, o impacto econômico foi severo, com uma perda estimada de 1,07 trilhão de dólares em renda potencial global no ano de 2025.

A análise também destaca o agravamento de eventos extremos, como as secas, cuja área afetada cresceu mais de 700% mais rápido do que na década de 2006 a 2015. O relatório é coordenado pela University College London em colaboração com a Organização Mundial da Saúde.

Marina Romanello, diretora executiva do Lancet Countdown, afirmou que os danos à saúde causados pelas alterações climáticas estão crescendo mais rapidamente do que a resposta global. Segundo a especialista, o progresso em investimentos de energia limpa e sistemas de saúde tem sido insuficiente diante da velocidade dos danos.

A expectativa dos pesquisadores é que a OMS e seus Estados-membros reconheçam a situação como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. Tal medida obrigaria os países a estabelecerem estruturas nacionais de vigilância e ações coordenadas para enfrentar os riscos crescentes à população.

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