OMS alerta que El Niño representa grave ameaça à saúde global
Fenômeno climático intensifica surtos de doenças e ondas de calor, exigindo ação urgente dos sistemas de saúde globais.
Foto: Reprodução
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o fenômeno climático El Niño como uma ameaça significativa à saúde pública mundial. Com previsão de persistência até fevereiro de 2027, o evento pode se tornar um dos mais intensos das últimas quatro décadas, exigindo prontidão imediata dos sistemas de saúde.
Teresa Zakaria, chefe da Unidade de Redução de Riscos de Desastres da OMS, destacou que as repercussões são previsíveis e que existe uma janela de oportunidade para agir antes que a situação evolua para uma crise generalizada. Segundo a especialista, o fenômeno traz riscos múltiplos que afetam diversas regiões do globo.
Entre os principais perigos listados estão o aumento de surtos de doenças infecciosas, como cólera, malária, dengue e chikungunya, impulsionados por inundações e chuvas torrenciais. Além disso, as ondas de calor extremo tendem a agravar condições crônicas, incluindo problemas cardiovasculares, respiratórios, neurológicos e diabetes.
O impacto ambiental é agravado pela má qualidade do ar decorrente de incêndios florestais e pela possível interrupção no fornecimento de água potável e serviços médicos essenciais. Armel Castellan, assessor do escritório conjunto da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e da OMS, descreveu a situação como um golpe duplo, visto que o El Niño ocorre em um momento em que as temperaturas globais já atingem níveis recordes.
Nas Américas, o cenário já apresenta sinais críticos. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) informou que mais de 5,2 milhões de pessoas na região enfrentam insegurança alimentar ou impactos diretos do fenômeno, com oito países já declarando estado de emergência. Ciro Ugarte, representante da OPAS, reforçou que a alta probabilidade de um evento severo exige medidas de preparação imediatas.
Diante do alerta, a OMS orienta que os países reforcem a vigilância epidemiológica e testem planos de contingência. A recomendação é que as nações em áreas de maior risco realizem o armazenamento preventivo de materiais médicos e preparem suas infraestruturas para lidar com o aumento da demanda por atendimento durante os próximos meses.