Dor crônica e negligência levam jovem a solicitar eutanásia
Jovem com endometriose severa relata anos de dor e falta de diagnóstico antes de buscar eutanásia na Colômbia.
Foto: Reprodução
A colombiana Melisa Gaona, de 26 anos, enfrenta um quadro severo de endometriose que, após anos sem o diagnóstico adequado e o tratamento eficaz, a levou a buscar o direito à eutanásia como forma de encerrar um sofrimento constante.
A trajetória de Melisa é marcada por episódios de dor aguda que, ao serem levados a pronto-socorros, foram desqualificados por profissionais de saúde sob o argumento de que a paciente não apresentava uma urgência vital.
A paciente, que convive com a doença desde a infância, descreve sua situação com uma frase que sintetiza o desespero diante da falta de assistência: 'Eu não quero morrer, quero parar de sentir dor'.
O neurocirurgião Pedro Henrique Cunha, ao analisar casos de dor crônica persistente, aponta que o pedido de eutanásia, nestas circunstâncias, reflete o esgotamento de uma pessoa que perdeu a funcionalidade, a autonomia, o sono, o trabalho e os vínculos sociais, além da própria esperança de melhora.
O caso ocorre em um cenário onde a Colômbia possui uma das legislações mais avançadas do mundo sobre o tema. O país despenalizou a eutanásia em 1997 e, desde 2021, a Corte Constitucional ampliou o acesso ao procedimento para pacientes que enfrentam sofrimento intenso e irreversível, gerando um debate sobre o abandono enfrentado por pacientes com condições crônicas.