DNA antigo revela como a peste persistiu na Europa por 400 anos
Estudo genético aponta que a bactéria da peste circulou por quatro séculos após a Peste Negra.
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Um novo estudo genético demonstra que a bactéria Yersinia pestis circulou pelo continente europeu durante quatro séculos após o surto inicial da Peste Negra, evoluindo em linhagens distintas que foram disseminadas por rotas comerciais, conflitos armados e movimentos migratórios.
A pesquisa, divulgada em 20 de setembro de 2026, foi conduzida por cientistas da Universidade de Tartu, na Estônia, com apoio do Estonian Research Council. Os especialistas reconstruíram 26 genomas da bactéria a partir de restos humanos encontrados em 11 sítios arqueológicos localizados na Estônia, Rússia, Inglaterra, Holanda e Suíça.
O trabalho científico introduziu uma metodologia inédita para datar genomas antigos com maior precisão. Esse avanço permitiu aos pesquisadores correlacionar diversos genomas a surtos específicos registrados em crônicas históricas, superando a visão de que a doença teria persistido em um único reservatório central.
Os dados indicam que, entre 1450 e 1500, o patógeno passou por um processo de diversificação, resultando em três ramos principais. Acredita-se que essa ramificação tenha facilitado a criação de novos reservatórios em populações de roedores selvagens, o que garantiu a recorrência da peste ao longo do período da Segunda Pandemia, que se estendeu do século XIV ao século XVIII.
A descoberta refuta a hipótese de que a peste teria se espalhado a partir de uma única fonte fixa, sugerindo que o ressurgimento da doença ocorreu de forma independente em diferentes regiões europeias ao longo dos séculos analisados.