Congo inicia vacinação contra ebola para testar proteção cruzada
Estudo avalia se imunizante contra ebola protege contra nova variante em epicentro da epidemia.
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A República Democrática do Congo deu início, no último sábado (19), a uma campanha de vacinação no epicentro da atual epidemia de ebola. A ação visa avaliar se o imunizante Ervebo, desenvolvido originalmente para a cepa Zaire, é capaz de oferecer proteção contra a variante Bundibugyo, que circula atualmente no país.
O estudo clínico, proposto pela Organização Mundial da Saúde, tem como público-alvo 20.000 profissionais que atuam na linha de frente nas províncias de Ituri e Kivu do Norte. A expectativa é que o monitoramento dos vacinados ocorra ao longo dos próximos nove a 12 meses para a coleta de evidências científicas sobre a eficácia da proteção cruzada.
Até meados de setembro de 2026, o surto — declarado oficialmente em 15 de maio — contabilizou 7.541 casos e 3.639 mortes. O professor Steve Ahuka, um dos coordenadores da resposta sanitária, explicou que, embora a vacina seja eficaz contra a cepa Zaire, ainda não há dados sobre o nível de proteção que ela pode oferecer contra a variante Bundibugyo.
A doutora Nana Mimbu, também coordenadora da resposta, reforçou a possibilidade de um nível de proteção cruzada. Durante o início da campanha em Bunia, o governador da província de Ituri, Gaby Kasongo Mulumba, foi um dos vacinados.
Apesar de autoridades relatarem sinais de desaceleração em algumas regiões, Julien Harneis, coordenador especial da ONU para o ebola, destacou que a epidemia permanece em grande magnitude. O controle total da situação, segundo especialistas, ainda demandará meses de trabalho contínuo.