Cientistas criam células de combate ao câncer dentro do corpo
Nova técnica reprograma células de defesa no próprio corpo para combater tumores de forma mais rápida e acessível.
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Nova técnica desenvolvida pela Universidade da Califórnia em São Francisco permite a reprogramação de células de defesa diretamente no organismo, eliminando a necessidade de processos laboratoriais complexos.
O método utiliza um sistema de entrega composto por duas partículas distintas. A primeira transporta a ferramenta de edição genética CRISPR-Cas9, enquanto a segunda carrega o DNA responsável por instruir as células T a identificarem e atacarem tumores. Diferente das abordagens convencionais que dependem de vírus para inserir material genético de forma aleatória, esta técnica insere o DNA em um local preciso do genoma, conhecido como sítio TRAC.
A terapia CAR-T tradicional exige a coleta das células imunes do paciente, um processo que envolve o envio do material para instalações especializadas, modificação genética em laboratório e posterior reinfusão. Esse fluxo de trabalho é caracterizado pelo alto custo, que pode chegar a centenas de milhares de dólares, e pela lentidão, que pode levar semanas para ser concluída.
Em testes realizados com camundongos que possuíam sistemas imunológicos humanizados, a nova abordagem demonstrou eficácia no tratamento de leucemia agressiva, mieloma múltiplo e casos de sarcoma. Em algumas instâncias, as células reprogramadas chegaram a compor 40% das células imunes presentes em órgãos específicos.
O estudo, publicado na revista Nature em 18 de março de 2026, contou com a colaboração de pesquisadores da UCSF, Gladstone Institutes, Duke University e Innovative Genomics Institute. Justin Eyquem, autor sênior do trabalho, destacou que a descoberta representa o início de uma nova fase para terapias transformadoras. O primeiro autor, William Nyberg, ressaltou que a capacidade de obter respostas de longo prazo, especialmente em mieloma múltiplo, torna os resultados significativos.
O objetivo das equipes envolvidas é traduzir essa tecnologia para aplicações em humanos. A expectativa é desenvolver uma terapia pronta para uso, similar a uma vacina, que possa ser administrada de maneira padronizada a pacientes com as mesmas condições clínicas.