Tratamento de depressão gestacional altera cérebro do bebê
Intervenção psicoterapêutica breve na gestação melhora estrutura cerebral e comportamento de bebês.
Depressão afeta 1 a cada 5 mulheres na gravidez (Adobe Stock)
Estudo publicado na revista Nature Communications revela que intervenções psicoterapêuticas breves durante a gravidez podem impactar positivamente a estrutura cerebral e o comportamento emocional de recém-nascidos.
A pesquisa, conduzida por especialistas das universidades de Denver, Illinois e Colorado, acompanhou 234 gestantes que apresentavam sintomas depressivos durante o pré-natal. O método utilizado, denominado MOMCare, consiste em um ciclo de oito sessões de 50 minutos voltadas para a melhoria de habilidades interpessoais, redução de conflitos e ampliação do suporte social.
Os resultados indicaram que os bebês cujas mães passaram pelo tratamento apresentaram alterações no volume do hipocampo direito, área cerebral fundamental para a memória e a regulação das emoções. Além disso, aos seis meses de idade, essas crianças demonstraram níveis menores de emotividade negativa.
Catherine Demers, uma das autoras do estudo, destaca que, embora a literatura médica já associasse a depressão materna a riscos no desenvolvimento infantil, a maioria das evidências anteriores era baseada em correlações. Este trabalho se diferencia por ser um ensaio clínico randomizado que demonstra, na prática, a influência direta da intervenção no desenvolvimento cerebral precoce.
A depressão pré-natal é considerada uma das complicações mais frequentes na gravidez, atingindo entre 20% e 40% das gestantes. Os achados reforçam a importância do diagnóstico e do suporte psicológico especializado durante o período gestacional como medida de saúde pública.
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