Mortes por gravidez ectópica dobram nos Estados Unidos
Gravidez ectópica: mortes dobram e especialistas investigam ligação com restrições ao aborto e falhas no atendimento.
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Investigação da ProPublica, repercutida pela NPR, aponta que o número de óbitos relacionados a essa condição médica atingiu quase 200 casos entre 2020 e 2025, um crescimento expressivo em comparação ao período anterior.
A gravidez ectópica ocorre quando o óvulo fertilizado se implanta fora do útero, configurando uma emergência médica que exige intervenção imediata para evitar hemorragias fatais. Dados do CDC indicam que, nos seis anos anteriores ao levantamento, foram registradas cerca de 100 mortes, o que significa que a taxa praticamente dobrou no intervalo analisado.
Andrea Suozzo, repórter de dados da ProPublica, destacou que o aumento é observado nacionalmente, mas ressaltou que a elevação é mais acentuada em estados que implementaram proibições ao aborto após a decisão Dobbs. O cenário levanta preocupações sobre a hesitação de médicos em realizar procedimentos necessários por receio de penalidades criminais.
Relatos de pacientes como Kyleigh Thurman, no Texas, e Leitaea Lowrimore, em Oklahoma, ilustram as dificuldades crescentes no acesso ao tratamento adequado. A ginecologista e obstetra Alice Abernathy, atuante na Filadélfia, reforçou a gravidade da situação ao afirmar que uma morte por gravidez ectópica é um evento que não deveria ocorrer, dada a natureza da condição.
Especialistas agora buscam determinar se o salto nos óbitos decorre de um aumento na incidência da condição ou se está estritamente ligado a falhas no atendimento e atrasos no diagnóstico. Embora o caos hospitalar durante a pandemia de COVID-19 tenha sido um fator inicial, a persistência do aumento dos números exige investigações adicionais sobre o impacto das restrições estaduais no cuidado obstétrico.