Líderes religiosos combatem desinformação sobre ebola na RDC
Líderes religiosos desmentem boatos e promovem conscientização para frear epidemia.
Fiéis recebem álcool em gel e, em seguida, uma hóstia durante a missa de domingo na igreja de Notre Dame da Caridade Maternal, em Mongbwalu, na República Democrática do Congo (Finbarr O´Reilly/NYT)
Diante de um surto que já vitimou milhares de pessoas, padres e pastores na República Democrática do Congo utilizam sermões e o testemunho de sobreviventes para desmentir boatos que dificultam o combate à doença.
A desinformação tem sido um obstáculo crítico no controle da epidemia, com rumores locais sugerindo que o vírus teria sido criado por estrangeiros como parte de um plano para eliminar a população e usurpar terras. Para reverter esse cenário, figuras religiosas têm atuado na conscientização sobre a importância do tratamento precoce.
Deo Kasereka, catequista da igreja Nossa Senhora da Caridade Materna em Mongbwalu, tornou-se uma voz ativa na luta contra o vírus. Sobrevivente da doença, ele relata ter sido infectado ao prestar assistência a um paroquiano durante um funeral. Kasereka descreve os sintomas severos, como febre alta e sudorese intensa, para alertar a comunidade sobre a gravidade da infecção.
A Igreja Católica implementou protocolos sanitários rigorosos em suas celebrações. Medidas como a distribuição de álcool em gel antes da comunhão, a entrega da hóstia diretamente nas mãos dos fiéis e a substituição do contato físico por gestos verbais durante o sinal da paz visam reduzir as chances de contágio em aglomerações.
O cenário é agravado pela instabilidade política e pelos conflitos armados no leste do país, que restringem a atuação das autoridades de saúde.
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