Dermatite atópica eleva risco de depressão e ansiedade

Doença inflamatória da pele eleva em duas vezes o risco de depressão e ansiedade em pacientes.

The Health Brief • • 2 min de leitura
Dioneli Medeiros e o filho, Pietro Medeiros, 8, brincam juntos no Parque Municipal Getúlio Vargas, em Canoas (RS) (Carlos Macedo/Folhapress)

Dioneli Medeiros e o filho, Pietro Medeiros, 8, brincam juntos no Parque Municipal Getúlio Vargas, em Canoas (RS) (Carlos Macedo/Folhapress)

Estudo aponta que pacientes com a condição inflamatória enfrentam problemas de saúde mental em proporções significativamente maiores que a população em geral.

Dados publicados no caderno Equilíbrio da Folha de S.Paulo revelam que uma em cada cinco pessoas diagnosticadas com dermatite atópica sofre de depressão. Esse índice representa o dobro da incidência observada na população brasileira em geral. Além do quadro depressivo, a revisão da literatura científica, incluindo publicações no Journal of Clinical Medicine, indica uma prevalência elevada de transtornos de ansiedade entre esses pacientes.

A dermatite atópica é uma doença crônica de origem genética, não contagiosa, que afeta cerca de 2,3% da população do país. Caracterizada por ressecamento, lesões avermelhadas e prurido intenso, a enfermidade impõe desafios que transcendem a saúde física. A coceira persistente, por exemplo, compromete severamente a qualidade do sono, fator que agrava o desgaste emocional, segundo a dermatologista Rosana Lazzarini, da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

O impacto psicológico é exacerbado pelo estigma social. Uma pesquisa do Datafolha realizada em 2020 mostrou que 30% dos entrevistados acreditavam erroneamente que a doença era contagiosa, enquanto 47% a associavam à falta de higiene. Esse preconceito contribui para o isolamento de pacientes, como Pietro Medeiros, de 8 anos. Diagnosticado com um quadro grave no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, o menino enfrentou episódios de depressão e ansiedade.

Dioneli Medeiros, mãe de Pietro, relata a rotina exaustiva de quem convive com a dor crônica. Segundo ela, o sofrimento físico impedia atividades simples, como vestir roupas ou tomar banho, resultando em um quadro de imobilidade e profunda tristeza. O caso ilustra como a desinformação e os sintomas persistentes criam um ciclo de sofrimento que exige atenção especializada para além do tratamento dermatológico convencional.

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