Solidão é o maior fator de risco para a saúde mental no Brasil
Isolamento social afeta um terço dos brasileiros e impacta diretamente o bem-estar psicológico, aponta estudo inédito.
Solidão e isolamento social elevam risco de doenças cardíacas, diabetes, declínio cognitivo, entre outros problemas de saúde (rohawk/Adobe Stock)
Estudo aponta que mais de um terço da população brasileira enfrenta sentimentos de isolamento, com impacto direto na estabilidade emocional e no bem-estar psicológico.
A quinta edição do Panorama da Saúde Mental 2026, realizada pelo Instituto Cactus em parceria com a AtlasIntel, revelou que a solidão é o elemento mais associado à piora na saúde mental no país. O levantamento, que ouviu 4.601 pessoas, indica que 36,5% dos brasileiros relataram ter se sentido sozinhos nas duas semanas anteriores à coleta de dados.
Para medir esse impacto, a pesquisa utilizou o Índice Contínuo de Avaliação da Saúde Mental (ICASM). Os resultados mostram uma diferença expressiva: indivíduos que relataram solidão frequente (três vezes ou mais no período) atingiram uma média de 383 pontos, enquanto aqueles que não se sentiram sozinhos alcançaram 782 pontos.
Em contrapartida, a convivência social atua como um importante fator de proteção. Participantes que mantiveram encontros com amigos apresentaram um índice de 736,9 pontos, superando significativamente os 539 pontos registrados por quem não teve esse tipo de interação social.
O estudo também destacou grupos com maior vulnerabilidade ao isolamento. Entre os solteiros, 51,7% relataram solidão, índice que cai para 26,6% entre os casados. Além disso, pessoas com diagnóstico prévio de transtorno mental apresentaram uma incidência de 52,5%, ante 32,5% na parcela da população sem diagnóstico. O uso intenso de redes sociais, definido como três horas ou mais por dia, também mostrou correlação com o problema, atingindo 46,8% dos usuários desse perfil.
O cenário brasileiro reflete preocupações globais, visto que a Organização Mundial da Saúde classifica o isolamento social como uma ameaça à saúde pública. Os efeitos nocivos dessa condição são comparados pela entidade aos riscos do tabagismo, estando associados ao desenvolvimento de doenças cardíacas, diabetes, depressão e declínio cognitivo.
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