Pena em fezes fósseis revela segredo da sobrevivência das aves
Pena fossilizada em fezes de dinossauro revela adaptações térmicas cruciais para a sobrevivência das aves após o impacto do asteroide.
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Uma descoberta inusitada na Formação Hell Creek, em Montana, pode explicar como as aves modernas resistiram à extinção em massa que dizimou os dinossauros há 66 milhões de anos. Pesquisadores encontraram uma pena perfeitamente preservada dentro de um coprólito — fezes fossilizadas — de um dinossauro carnívoro.
O material foi coletado em 2016 por David DeMar Jr. e analisado por uma equipe liderada por Jingmai O'Connor, do Field Museum, em Chicago. Além da pena, o espécime continha ossos de ave e escamas de peixe, indicando que um grande predador, possivelmente um T. rex ou um Nanotyrannus, consumiu uma ave aquática da linhagem Hesperornithiformes pouco antes do impacto do asteroide.
A análise detalhada da estrutura da pena revelou uma combinação de características modernas, como adaptações para o mergulho e impermeabilização, com traços primitivos de penugem. Segundo os cientistas, essa configuração pode ter conferido uma vantagem térmica crucial para os ancestrais das aves atuais durante o rigoroso inverno de impacto que se seguiu ao evento catastrófico.
O estudo, publicado na revista Current Biology em 11 de setembro de 2026, destaca a importância desse achado raro. Para Jingmai O'Connor, a preservação excepcional da pena em uma fonte tão inesperada oferece uma oportunidade valiosa para responder a questões fundamentais da paleontologia sobre a sobrevivência das linhagens aviárias diante de mudanças climáticas drásticas.
A pesquisa continua focada em entender como a evolução da plumagem e a eficiência do isolamento térmico influenciaram a resiliência das espécies. A descoberta reforça a hipótese de que a capacidade de adaptação biológica foi um fator determinante para que os ancestrais das aves modernas superassem as condições inóspitas que levaram outros grupos de aves à extinção.