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Pausa na atividade neuronal pode prever crises epilépticas

Descoberta de silêncio neuronal prolongado antes de crises abre caminho para intervenções médicas inovadoras.

The Health Brief • • 2 min de leitura
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Uma equipe internacional de pesquisadores identificou que o cérebro apresenta um período de silenciamento prolongado antes de uma crise epiléptica, descoberta que abre caminho para novas formas de intervenção médica.

O estudo, publicado na revista científica Scientific Reports, aponta que essa calmaria na atividade neuronal funciona como um biomarcador confiável para antecipar convulsões. A pesquisa contou com a participação de instituições brasileiras, como a UFABC, USP, Unicamp e a Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Fernando da Silva Borges, pesquisador colaborador da UFABC e coautor do trabalho, explica que o fenômeno está ligado à dinâmica dos canais de potássio. Segundo o especialista, essa estrutura atua como um freio para a excitabilidade elétrica, e sua falha contribui para a sincronização neuronal exacerbada que caracteriza a epilepsia.

A proposta dos cientistas é utilizar a detecção desse sinal para aplicar um estímulo elétrico preciso, capaz de interromper o processo antes que a crise se instale. Simulações computacionais indicaram que essa intervenção pode reduzir a duração das convulsões em até 93%.

A epilepsia afeta cerca de 52 milhões de pessoas no mundo, sendo que uma parcela significativa, entre 30% e 40% dos pacientes, não apresenta resposta satisfatória aos tratamentos medicamentosos convencionais. Atualmente, a maioria dos dispositivos de monitoramento só consegue identificar o problema após o início da crise.

Embora os resultados sejam promissores, a equipe ressalta que o estudo atual baseia-se na confirmação em pacientes e modelos computacionais. Ainda não há prazos definidos para a realização de testes clínicos em humanos.

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