Pacientes com dengue na rede pública chegam mais graves às UTIs

Pacientes do SUS chegam à UTI com dengue em estado mais crítico e necessitam de mais intervenções que os da rede privada, aponta pesquisa.

The Health Brief • • 2 min de leitura
Foto: Reprodução

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Estudo publicado em agosto de 2026 no Journal of Critical Care aponta disparidades significativas no estado clínico de pacientes adultos internados com dengue no Brasil, revelando que aqueles atendidos pelo SUS apresentam quadros de maior gravidade ao chegar à terapia intensiva em comparação aos da rede privada.

A pesquisa, conduzida por especialistas do Hospital Israelita Albert Einstein e do IDOR (Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino), analisou dados de internações ocorridas entre 2015 e 2024. Os resultados indicam que, embora os pacientes da rede pública sejam, em média, mais jovens — com idade mediana de 50 anos, contra 54 anos na rede privada —, a necessidade de intervenções imediatas é substancialmente maior no sistema público.

Os números confirmam a disparidade: 20% dos pacientes internados em UTIs do SUS precisaram ser intubados logo no primeiro dia de internação, enquanto na rede privada esse índice foi de 4%. Além disso, o suporte pressórico, necessário para manter a pressão arterial, foi exigido em 22,4% dos casos no sistema público nas primeiras 24 horas, contra 5,3% nos hospitais privados.

O levantamento utilizou informações do registro UTIs Brasileiras e do Datasus. Enquanto o registro geral de UTIs apontou uma mortalidade hospitalar de 8,2%, os dados específicos do Datasus para o SUS registraram 18,6%. Em recortes específicos de hospitais públicos incluídos no estudo, a mortalidade hospitalar chegou a 25%.

Luciano Cesar Pontes Azevedo, médico intensivista e autor principal do estudo, destaca que os dados permitem confirmar que os pacientes admitidos nas unidades do SUS apresentavam condições clínicas mais críticas. A hipótese levantada pelos pesquisadores é de que a maior gravidade esteja associada a uma demora no acesso à terapia intensiva, embora o tempo exato entre o início dos sintomas e a internação não tenha sido mensurado nesta análise.

Os autores do artigo ressaltam que novos estudos são fundamentais para compreender os fatores organizacionais e clínicos que explicam essas diferenças nos desfechos entre as duas redes de atendimento, visando aprimorar o manejo da doença e o fluxo de pacientes no sistema de saúde.

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