O reposicionamento da nicotina como ferramenta de bem-estar
Nova onda de marketing tenta associar nicotina a produtividade, ignorando riscos e dependência.
Foto: Reprodução
Influenciadores digitais e startups de tecnologia estão promovendo a nicotina como um composto voltado à melhora do foco e da produtividade, tentando desvincular a substância de sua imagem histórica ligada ao tabagismo.
A estratégia de marketing apresenta a nicotina como um produto limpo e mal compreendido, incentivando o consumo de versões isoladas, como sachês ou fórmulas combinadas com cafeína e nootrópicos. A narrativa busca atrair um público interessado em otimização cognitiva, utilizando embalagens modernas e sabores atrativos para minimizar a percepção de risco.
Especialistas alertam, contudo, que não há respaldo científico que comprove benefícios da nicotina para a saúde humana. A substância permanece classificada como altamente viciante e capaz de provocar efeitos adversos, como o aumento da pressão arterial, sobrecarga cardíaca e alterações nas conexões neurais.
Hasmeena Kathuria, médica pneumologista e pesquisadora na Universidade de Wisconsin-Madison, manifestou preocupação com a disseminação dessas alegações. Segundo a especialista, o foco em produtividade ignora os danos reais da dependência e as consequências fisiológicas do uso contínuo da substância.
No Brasil, a comercialização e a importação de sachês de nicotina são proibidas pela Anvisa, conforme a Resolução RDC 840/2023. Apesar da restrição legal, os produtos continuam circulando no mercado nacional por meio de vendas ilegais em redes sociais e plataformas de e-commerce.