O planejamento do futuro para quem não terá filhos
Jovens sem filhos buscam novas formas de garantir suporte e companhia na terceira idade, repensando o futuro sem a estrutura familiar tradicional.
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Mudanças demográficas no Brasil colocam em evidência o desafio de estruturar redes de apoio para a terceira idade fora do modelo familiar tradicional.
A psicóloga Lara Vieira, de 27 anos, exemplifica uma tendência crescente entre jovens adultos que buscam alternativas para garantir suporte na velhice. Após vivenciar a rotina de atendimento a idosos solitários, ela estabeleceu um pacto com uma amiga próxima para que ambas possam se acolher mutuamente ao atingirem os 65 anos, independentemente de seus estados civis.
O cenário reflete uma necessidade de planejamento antecipado diante da ausência de filhos, que historicamente compunham a principal rede de cuidado no país. Especialistas apontam que a organização para essa etapa da vida exige reflexões sobre mobilidade e localização geográfica.
Jorge Félix, cientista social e pesquisador em gerontologia da EACH-USP, destaca que o planejamento do envelhecimento deve considerar a flexibilidade de moradia. Segundo o pesquisador, a possibilidade de viver em diferentes cidades ou até em outros países deve ser integrada às estratégias de longo prazo para assegurar qualidade de vida e suporte social.