O impacto do bolsonarismo na percepção pública da ciência
Discurso de ex-presidente moldou percepção pública sobre ciência e clima, gerando ceticismo e fragilizando confiança em pesquisas.
Foto: Reprodução
Artigo publicado na Folha de S.Paulo analisa como o discurso político do ex-presidente Jair Bolsonaro influenciou a visão da sociedade brasileira sobre consensos científicos e mudanças climáticas.
Em 2019, um levantamento realizado com 2.206 jovens brasileiros indicou que, embora o meio ambiente fosse o tema de maior interesse para 80% dos entrevistados, havia um ceticismo latente. Naquela ocasião, 54% dos jovens afirmaram acreditar que cientistas poderiam estar exagerando a respeito das mudanças climáticas.
O autor do artigo, Bruno Gualano, conecta esse cenário à postura adotada pelo ex-presidente durante sua gestão. O texto destaca episódios como a condução da pandemia de Covid-19, marcada pela promoção de tratamentos sem validação clínica e pela campanha O Brasil não pode parar, que desafiaram recomendações da comunidade científica.
A análise reforça que o negacionismo científico ganhou contornos políticos claros. Em entrevista ao Jornal Nacional em agosto de 2026, Jair Bolsonaro reiterou sua posição sobre o aquecimento global ao afirmar que o fenômeno ocorre em épocas cíclicas e que os eventos extremos registrados não possuem relação exclusiva com a influência humana.
O debate proposto pelo colunista sublinha como a retórica política, ao questionar evidências consolidadas, molda a opinião pública e fragiliza a confiança em instituições de pesquisa e no método científico.
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