Neurociência explica a diferença entre jogos e apostas
Neurocientista explica como o cérebro lida com a incerteza e o risco, e como isso pode levar à dependência de jogos de azar.
Foto: Reprodução
A neurocientista Suzana Herculano-Houzel analisa como o cérebro processa a incerteza em atividades lúdicas e o impacto desse mecanismo na dependência de jogos de azar.
Em artigo publicado no dia 1º de outubro de 2026, a autora utiliza sua experiência pessoal com jogos de tabuleiro para ilustrar como o cérebro humano reage a diferentes tipos de incerteza. Enquanto jogos como Catan envolvem decisões estratégicas e interação social, as apostas esportivas e jogos de azar são desenhados para explorar a falta de garantias, mantendo o usuário em um ciclo de busca por recompensa.
Segundo a neurocientista, a incerteza é um componente central para o engajamento cerebral. Em um jogo de tabuleiro, o futuro da partida depende das ações e decisões dos participantes, o que estimula os circuitos cerebrais responsáveis pela avaliação de esforço e prazer. Esse processo é distinto do design de aplicativos de apostas, que utilizam a imprevisibilidade para induzir comportamentos repetitivos.
A análise destaca que a ausência de garantia de resultados é o fator que leva o cérebro a tentar novamente, um mecanismo que pode ser explorado para gerar dependência. O texto reforça a importância de distinguir o entretenimento baseado em aprendizado e superação da dinâmica de risco presente nas apostas.