Mudança de hábitos após os 60 anos garante mais autonomia
Mudanças de rotina após os 60 anos garantem mais saúde e independência, mesmo para quem não era ativo antes.
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Especialistas em geriatria e gerontologia destacam que a adoção de uma rotina ativa na terceira idade é capaz de proporcionar ganhos significativos de saúde, mesmo para quem não manteve um estilo de vida saudável durante a juventude.
Publicada no Dia do Idoso, a reportagem da Folha de S.Paulo ilustra essa transformação por meio da trajetória de aposentados que encontraram na prática constante de exercícios e desafios cognitivos uma forma de manter a independência. Entre os exemplos está Edgar Frank Walter, de 81 anos, que mantém uma agenda rigorosa com seis dias de atividades físicas semanais, incluindo beach tennis, tênis de quadra e musculação. Além disso, ele se dedica ao bridge, à meditação e ao canto coral, atividade que iniciou apenas aos 80 anos.
Outro caso emblemático é o de Álvaro Margarido, de 90 anos. Após enfrentar um tratamento de câncer de próstata, ele incorporou o pilates à sua rotina há uma década. Atualmente, ele combina a modalidade com sessões de musculação e caminhadas regulares, ressaltando a importância da disciplina para assegurar a qualidade de vida e a longevidade.
O gerontólogo Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional da Longevidade, reforça que o investimento em hábitos saudáveis tardios oferece resultados práticos. Segundo ele, o ganho principal reside na manutenção da força física necessária para atividades cotidianas, reduzindo a dependência de terceiros. O médico Leonardo Oliva, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, corrobora a visão de que nunca é tarde para iniciar mudanças.
O impacto positivo dessas práticas é sustentado por evidências científicas. Um estudo da USP, divulgado em 2026, demonstrou que programas de estimulação cognitiva aplicados ao longo de 18 meses resultaram em melhorias mensuráveis na memória, na fluência verbal e nas funções executivas de idosos, além de contribuir para a redução de sintomas depressivos.
Para os protagonistas dessas histórias, o foco é claro: a longevidade deve ser acompanhada de autonomia. Edgar Frank Walter resume o sentimento ao afirmar que busca manter a qualidade de vida para garantir que as possibilidades de realizar atividades se mantenham preservadas. Já Álvaro Margarido reforça que a persistência, mesmo diante da preguiça ocasional, é o pilar fundamental para quem deseja chegar aos 100 anos com saúde.