Guerra civil no Sudão colapsa sistema de saúde e isola pacientes
Ataques a hospitais e insegurança forçam pacientes a arriscar a vida em busca de cuidados médicos essenciais.
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A destruição de infraestruturas hospitalares e a insegurança crescente forçam enfermos com doenças crônicas a enfrentar trajetos perigosos em busca de atendimento médico básico.
Desde o início do conflito em abril de 2023, o cenário de saúde no Sudão deteriorou-se drasticamente. Dados da organização Insecurity Insight e da Organização Mundial da Saúde indicam que mais de 200 instalações médicas foram alvo de ataques diretos. Em zonas de combate, a situação é crítica: cerca de 75% das unidades de saúde estão inoperantes, deixando a população desassistida.
O sistema de saúde enfrenta um colapso multifatorial. Além dos bombardeios, hospitais sofrem com saques de estoques de medicamentos e a morte de profissionais da área. A escassez de especialistas, como oncologistas, somada à presença de postos de controle armados nas estradas, impede que pacientes alcancem os poucos centros que ainda tentam manter suas atividades.
A realidade de quem depende de tratamento contínuo é ilustrada pelo caso de Fatouma Mahdi Ahmed Saeed, paciente com câncer cervical. Mesmo em unidades como o hospital Mother of Mercy, onde não há oncologistas disponíveis na equipe, a demanda por cuidados persiste, evidenciando o desespero de quem não possui alternativas em meio ao conflito entre as Forças Armadas do Sudão e as Forças de Apoio Rápido.
À medida que a guerra entra em seu quarto ano, a interrupção dos serviços médicos básicos consolida uma crise humanitária de grandes proporções, onde o acesso a tratamentos anteriormente acessíveis tornou-se uma jornada de alto risco para a sobrevivência.