Fóssil de 165 milhões de anos revela origem da amamentação
Fóssil jurássico de 165 milhões de anos revela adaptação crucial para amamentação e evolução do cérebro.
Foto: Reprodução
Uma nova espécie de mamaliaforme, o Megacauda sungei, descoberta na Mongólia Interior, na China, oferece pistas fundamentais sobre a evolução dos mamíferos. O fóssil, datado de 165 milhões de anos, apresenta uma preservação excepcional de tecidos moles que explica como esses animais desenvolveram a capacidade de deglutição necessária para a amamentação.
O animal, que viveu durante o período Jurássico, media cerca de 50 centímetros e pesava entre 1 kg e 2 kg. Com características semiaquáticas, como uma cauda larga e achatada e pelagem curta, o Megacauda sungei possuía uma estrutura complexa no osso hioide e um palato mole. Essa anatomia permitia a separação da cavidade oral da faringe, possibilitando que o animal engolisse e respirasse simultaneamente.
Segundo o Prof. Dr. Thomas Martin, da Universidade de Bonn, essa adaptação foi um marco evolutivo. A capacidade de deglutir contra a gravidade é o que permite, por exemplo, que humanos bebam líquidos de cabeça para baixo. O pesquisador destaca que essa especialização na faringe foi um requisito essencial para o desenvolvimento cerebral que, ao longo de milhões de anos, culminou na evolução humana.
A descoberta, publicada na revista Nature, envolveu uma equipe internacional de cientistas das Universidades de Chicago, Ohio, Bonn, além de instituições chinesas. Antes deste achado, o mecanismo que permitia aos primeiros mamíferos a sucção segura do leite era um mistério para a paleontologia, uma vez que animais como os crocodilos dependem da gravidade para engolir, movendo a cabeça bruscamente.
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