Estudo aponta que 39% dos brasileiros usaram remédios ineficazes
Estudo aponta que desinformação e desconfiança na ciência levaram parte da população a usar tratamentos sem comprovação científica contra a Covid-19.
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Pesquisa publicada na Revista de Saúde Pública revela que quatro em cada dez brasileiros recorreram a medicamentos sem comprovação científica para o tratamento da Covid-19.
O levantamento, intitulado Epicovid 2.0, foi conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas e da University of Illinois Urbana-Champaign. Os dados foram coletados em 2024 a partir de entrevistas com 9.591 pessoas que contraíram a doença, abrangendo 133 municípios em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.
Segundo os resultados, 63% dos participantes utilizaram algum tipo de medicação durante a infecção. Entre os fármacos sem eficácia comprovada contra o coronavírus, os mais citados foram a azitromicina, utilizada por 27,2% dos entrevistados, seguida pela ivermectina, com 23,6%, e a cloroquina, com 12,1%. No panorama geral de tratamentos, antitérmicos e antibióticos foram os mais mencionados, com 53,7% e 36,2%, respectivamente.
A análise indica uma correlação entre o uso de cloroquina e ivermectina e a desconfiança em relação a cientistas. Além disso, o consumo desses medicamentos foi mais frequente entre mulheres, adultos na faixa de 40 a 59 anos, pessoas com menor nível de escolaridade e renda, além de indivíduos que se declararam evangélicos. Regionalmente, a prática foi mais comum nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país.
O fenômeno, que marcou o período da pandemia no Brasil, foi impulsionado por um cenário de desinformação e pela busca por curas alternativas. O artigo, publicado em 8 de julho de 2026, consolida os dados sobre o comportamento da população diante da crise sanitária.