O impacto do narcisismo conversacional nas interações sociais
Comportamento de desviar o foco para si mesmo prejudica a qualidade das interações e aprofunda a superficialidade nas conversas.
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A prática de desviar o foco de uma conversa para si mesmo, transformando diálogos em monólogos, tem sido estudada como um fenômeno que prejudica a qualidade das trocas interpessoais. Publicada em 10 de setembro de 2026, uma reportagem da editoria Equilíbrio, da Folha de S.Paulo, detalha como essa dinâmica, conhecida como narcisismo conversacional, afeta a comunicação cotidiana.
O conceito foi originalmente cunhado pelo sociólogo norte-americano Charles Derber em 1979, em sua obra The Pursuit of Attention. Segundo a teoria, o indivíduo utiliza o recurso da shift-response, ou resposta de deslocamento, para mover o centro da conversa para suas próprias experiências, opiniões ou histórias, em detrimento da escuta ativa e do interesse genuíno pelo interlocutor, que seria caracterizado pela support-response.
Embora o comportamento seja frequentemente associado à era das redes sociais, a análise aponta que o problema é anterior a essas plataformas. A psicóloga e escritora britânica Audrey Tang destaca que o fenômeno se intensificou com o ritmo acelerado de interações superficiais e o excesso de estímulos digitais. Nesse contexto, o lançamento do iPhone 4 em 2010, primeiro aparelho com câmera frontal, é identificado como um marco simbólico na mudança de foco das interações humanas.
A reportagem ressalta que o narcisismo conversacional ocorre em diversos cenários, desde situações íntimas até relatos de tragédias ou conversas aleatórias. Ao sequestrar o diálogo, o interlocutor interrompe o fluxo de empatia, priorizando a autoexposição em vez da construção de uma conexão mútua.