Estudo aponta menor carga genética hereditária em câncer de próstata
Estudo com pacientes do SUS aponta menor incidência de mutações herdadas em brasileiros com a doença.
Exame de toque retal é fundamental para detecção precoce de câncer de próstata (Peakstock/Adobe Stock)
Pesquisa realizada com pacientes do SUS indica que mutações herdadas dos pais são menos frequentes em brasileiros com a doença metastática do que em populações europeias e norte-americanas.
O levantamento, parte do projeto Onco-Genomas Brasil, analisou o DNA de 193 pacientes atendidos em todas as regiões do país entre outubro de 2022 e dezembro de 2023. Os resultados foram publicados na revista científica Genetics in Medicine Open.
Ao restringir a análise a genes diretamente associados ao câncer de próstata, a taxa de alterações hereditárias identificadas foi de 5,7%. Quando o escopo foi ampliado para 148 genes relacionados a diversos tipos de câncer, o índice alcançou 9,8%.
Gabriel Macedo, geneticista do Hospital Moinhos de Vento e da Rede D'Or, que atuou como co-pesquisador, ressalta que, embora os dados sugiram uma contribuição genética menor no cenário brasileiro, ainda não é possível cravar uma conclusão definitiva.
O estudo diferencia o DNA coletado no sangue, que revela o material herdado dos pais, das mutações adquiridas pelo tumor ao longo da vida. Os pesquisadores apontam que a qualidade do material biológico coletado no SUS ainda representa um desafio para o avanço da medicina de precisão no país.
Diante dos resultados preliminares, a equipe reforça a necessidade de realizar novas investigações com amostras maiores e de melhor qualidade técnica para verificar se a diferença observada em relação a outros países se sustenta em uma escala populacional mais ampla.
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