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Escassez de doadores e recusa familiar travam transplantes infantis

Doadores escassos e recusa familiar dificultam transplantes pediátricos, limitando chances de vida para crianças em espera.

The Health Brief • • 2 min de leitura
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

A dificuldade de acesso a órgãos compatíveis e a resistência das famílias em autorizar a doação representam os principais obstáculos para a realização de transplantes pediátricos no Brasil. O cenário atual reflete um gargalo crítico que limita as chances de recuperação de crianças que dependem de procedimentos de alta complexidade.

Dados de 2026 indicam que, entre janeiro e julho, foram realizados apenas 278 transplantes em pacientes pediátricos. O problema é agravado pela baixa adesão à doação: em 2025, a taxa de recusa familiar no país atingiu 45%. Embora o Brasil conte com 829 serviços de saúde autorizados para transplantes, apenas 70 deles realizaram procedimentos voltados ao público infantil no ano passado, evidenciando a concentração e a escassez de atendimento especializado.

A complexidade técnica é um fator determinante, já que a diferença de tamanho entre órgãos de doadores adultos e o corpo de crianças pequenas exige precisão cirúrgica elevada. Especialistas como a cirurgiã pediátrica Karin Schultz e o cirurgião José Sampaio, do Hospital Pequeno Príncipe, apontam que a viabilidade de transplantes depende frequentemente da doação de partes de órgãos por doadores vivos, como pais, diante da falta de doadores falecidos.

O caso de Felipe Oliveira Costa, de 7 anos, ilustra essa realidade. Após desenvolver cirrose hepática por uma reação medicamentosa, o menino passou por um transplante de fígado em maio de 2026, recebendo parte do órgão de seu pai, Abimael Maurício Oliveira Silva. Para o pai, o procedimento foi um marco de superação que permitiu a recuperação da qualidade de vida da criança.

Apesar de alternativas como a doação em vida, o sistema de saúde enfrenta barreiras culturais significativas. O medo da mutilação do corpo, convicções religiosas e a resistência em aceitar o diagnóstico de morte encefálica continuam sendo os principais motivos para a recusa das famílias. Com apenas 4,6% dos 6.706 transplantes renais realizados em 2025 destinados a crianças, o desafio de ampliar a conscientização sobre a doação de órgãos permanece como uma prioridade para o setor de saúde.

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