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Consumo precoce de álcool altera maturação cerebral na vida adulta

Exposição a altas doses na juventude compromete desenvolvimento neurológico e perpetua comportamentos de risco na vida adulta.

The Health Brief • • 2 min de leitura
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Estudo da Unifesp aponta que a exposição a altas doses da substância durante a adolescência compromete o desenvolvimento neurológico e perpetua comportamentos de risco na maturidade.

Pesquisadores da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp) identificaram que o consumo excessivo de álcool, prática conhecida como binge drinking, gera impactos duradouros no cérebro. O trabalho, apoiado pela Fapesp e publicado nas revistas Alcohol: Clinical and Experimental Research e Physiology & Behavior, utilizou camundongos para simular o equivalente a duas intoxicações mensais ao longo da adolescência humana.

Os resultados revelaram distinções conforme o período de exposição e o sexo dos animais. Machos expostos no início da adolescência demonstraram maior propensão a assumir riscos na vida adulta, enquanto fêmeas apresentaram um aumento no consumo da substância. Quando a ingestão ocorreu no final da fase adolescente, os prejuízos comportamentais foram observados em ambos os sexos.

A coordenadora do estudo, Karina Possa Abrahão, ressalta que, embora o desenvolvimento humano tenha início no útero, o cérebro não está completamente formado ao nascer. O córtex pré-frontal, região fundamental para o controle de impulsos e a tomada de decisões, é uma das últimas áreas a concluir sua maturação, processo que se estende até por volta dos 25 anos.

O cenário brasileiro reforça a relevância do tema. Dados indicam que 5% dos adolescentes entre 12 e 17 anos relataram ao menos um episódio de consumo excessivo de álcool em um intervalo de 30 dias. Entre jovens adultos de 18 a 24 anos, esse índice atinge 20,5%.

Diante das evidências, a equipe científica da EPM-Unifesp mantém as investigações focadas em compreender as diferenças biológicas entre os sexos frente à exposição precoce ao álcool, buscando esclarecer como o desenvolvimento neurológico é afetado a longo prazo.

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