Clozapina tem restrições reduzidas mas uso segue estagnado
Fim de barreiras burocráticas para tratamento de esquizofrenia infantil nos EUA, mas receio médico persiste.
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A eliminação de um rigoroso programa de monitoramento pela FDA marca uma nova fase para o tratamento da esquizofrenia, embora a hesitação médica continue a limitar a prescrição do fármaco.
Após mais de três décadas, a agência reguladora dos Estados Unidos encerrou oficialmente em 13 de junho de 2025 o programa REMS. A medida removeu a obrigatoriedade de testes de contagem absoluta de neutrófilos antes da dispensação do medicamento, uma barreira burocrática que, segundo especialistas, impedia o acesso de pacientes a um dos tratamentos mais eficazes disponíveis.
O médico Nitin Gogtay, autor de um artigo recente no STAT News, descreve a clozapina como um dos medicamentos mais subutilizados da medicina. Para ele, a papelada imposta pelo antigo sistema nunca foi o obstáculo central para a terapia, mas sim o receio persistente em relação aos efeitos colaterais graves, como a neutropenia severa.
A mudança regulatória foi impulsionada por grupos de defesa, incluindo a Schizophrenia & Psychosis Action Alliance e o coletivo The Angry Moms, que lutaram contra as interrupções frequentes no tratamento causadas pela complexidade do sistema anterior. Essas interrupções representavam riscos clínicos significativos, como a psicose de rebote.
Embora a FDA tenha flexibilizado o acesso, a agência mantém a recomendação de que médicos continuem monitorando os níveis sanguíneos dos pacientes conforme as diretrizes da bula. Esse alerta de segurança, aliado à cautela clínica, mantém a clozapina em um cenário de subutilização, mesmo com a remoção da burocracia que por anos restringiu sua aplicação clínica.