Câncer de estômago mantém alta mortalidade e projeção de novos casos
Diagnóstico tardio e resistência à H. pylori agravam cenário de mortes por câncer gástrico no país.
Foto: Reprodução
O Brasil enfrenta um cenário persistente de mortalidade por câncer gástrico, com mais de 12 mil óbitos registrados anualmente nas últimas duas décadas. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) projeta um aumento contínuo na incidência da doença até 2028, o que deve elevar ainda mais o número de vítimas fatais.
Para o triênio iniciado em 2026, a estimativa é de 22,5 mil novos diagnósticos. Este dado representa o terceiro ajuste consecutivo para cima realizado pelo instituto, superando os registros dos períodos anteriores, que contabilizaram 21,2 mil casos entre 2020 e 2022 e 21,4 mil entre 2023 e 2025.
A alta taxa de mortalidade, que ultrapassa 60%, é atribuída principalmente ao diagnóstico tardio da patologia. Como a doença frequentemente não apresenta sintomas em seus estágios iniciais, a detecção precoce torna-se um desafio significativo para o sistema de saúde.
Além da dificuldade de identificação, a persistência da bactéria H. pylori, considerada a principal causa do câncer gástrico em escala global, permanece como um obstáculo crítico. A erradicação ineficaz do microrganismo, somada a fatores de risco como obesidade, tabagismo, consumo de álcool e dieta rica em sal, compõe o quadro de agravamento da doença no país.
O cenário epidemiológico atual reflete uma tendência de alta impulsionada pelo envelhecimento da população e pela prevalência de hábitos nocivos à saúde. Sem estratégias eficazes de rastreio e tratamento precoce, a projeção é de que a carga da doença continue a crescer nos próximos anos.
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