Calor extremo ameaça gestantes e bebês sem proteção climática
Gestantes e bebês são as novas vítimas do aquecimento global, mas planos de adaptação climática ignoram a vulnerabilidade da gravidez.
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Uma nova pesquisa internacional revela que as altas temperaturas globais representam um risco crescente para a saúde materna e neonatal, embora esse grupo ainda seja negligenciado nos planos de adaptação climática. O levantamento, encomendado pela fundação britânica Wellcome, foi divulgado na última segunda-feira (5) durante uma reunião ministerial preparatória para a COP31.
O estudo, conduzido pelo instituto Censuswide com 1.000 profissionais de saúde no Brasil, Reino Unido, Austrália, Índia e Zimbábue, aponta que 73% dos entrevistados notaram um aumento de complicações relacionadas ao calor em gestantes nos últimos cinco anos. Além disso, 76% relataram uma elevação em problemas que afetam fetos e recém-nascidos.
Dados científicos indicam que cada aumento de 1°C na temperatura está associado a uma elevação de 5% nos partos prematuros e de 7% nos casos de diabetes gestacional. No Brasil, a preocupação é latente: 89% dos profissionais de saúde temem o impacto do calor sobre os recém-nascidos, enquanto 79% defendem que a proteção desse público seja prioridade em políticas públicas.
Simon Stiell, secretário-executivo da ONU para Mudanças Climáticas, classificou a gravidez e o parto como uma nova linha de frente da crise climática. Segundo o representante, o calor extremo está cada vez mais vinculado ao baixo peso ao nascer, à morte fetal e a complicações maternas graves. Stiell enfatizou que a capacidade de proteger a vida em seu momento de maior fragilidade é um teste fundamental para a ação climática global.
O tema ganha relevância antes da COP31, que ocorrerá em Antalya, na Turquia, entre 9 e 20 de novembro de 2026. No Brasil, o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs), da Fiocruz Bahia, tem produzido evidências que corroboram a tese de que a exposição ao calor intenso, especialmente no início e no fim da gestação, é um fator de risco crítico para a saúde pública.