Aumento de 823% em afastamentos por burnout entre mulheres
Sobrecarga feminina transcende o trabalho e exige mudanças sociais e políticas para combater o esgotamento.
Burnout feminino: a sobrecarga começa bem antes da jornada profissional (ArtDreams92 para Pixabay)
Dados do Ministério da Previdência Social revelam um salto expressivo nos casos de esgotamento profissional feminino, que passaram de 823 registros em 2021 para 7.595 em 2025.
O cenário foi discutido pela psicóloga e escritora Ana Luiza Novis durante o evento Neuro 2026. Segundo a especialista, o burnout feminino não pode ser analisado apenas sob a ótica do ambiente de trabalho, pois a sobrecarga das mulheres tem raízes que antecedem a jornada profissional.
Novis defende que o fenômeno se divide em três dimensões: social, institucional e política. Na esfera social, o adoecimento é impulsionado por expectativas históricas de cuidado, organização e resolução de problemas que recaem sobre as mulheres, muitas vezes sem o devido reconhecimento.
Para enfrentar esse quadro, a psicóloga aponta que a prevenção depende de mudanças estruturais, como a implementação de políticas públicas de cuidado, ampliação da oferta de creches, licença parental compartilhada e a garantia de igualdade salarial.
O debate ocorre em um momento em que o governo federal busca reforçar o controle sobre a saúde mental nas empresas. Desde maio de 2026, a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) exige o gerenciamento de riscos psicossociais no ambiente laboral, medida acompanhada pelo Ministério Público do Trabalho diante do aumento das denúncias de adoecimento psíquico.
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