Amizades de baixa manutenção exigem equilíbrio na rotina
Vínculos afetivos flexíveis ganham espaço na vida adulta, mas cuidado para não trocar a praticidade pelo isolamento.
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O conceito de vínculos afetivos que dispensam contato diário ganha força como alternativa para adultos sobrecarregados, mas especialistas alertam para o risco de o distanciamento se tornar um pretexto para o isolamento.
Em reportagem publicada pelo caderno Equilíbrio da Folha de S.Paulo, o tema reflete uma mudança na dinâmica das relações contemporâneas. Para pessoas com agendas lotadas, como a psicóloga e advogada Lilian Sá, de 49 anos, a estratégia de manter amizades com encontros pontuais de manutenção tem sido a saída para preservar laços apesar da escassez de tempo para conversas constantes.
Lilian relata que, em sua rotina, que inclui atendimentos clínicos, gestão familiar e atividades físicas, a comunicação com amigos ocorre conforme a disponibilidade. Segundo ela, a essência do vínculo permanece preservada mesmo com longos períodos de silêncio, desde que a conexão seja reativada em momentos presenciais.
A psicóloga Alana Anijar, especialista em terapia cognitivo-comportamental, pondera que não existe uma definição técnica universal para o termo. A percepção de que uma amizade é de baixa ou alta manutenção depende diretamente da expectativa individual sobre a demanda de atenção necessária para sustentar a relação.
O debate aponta que a falta de alinhamento entre as partes pode gerar frustrações e cobranças. A conveniência do modelo, portanto, deve ser acompanhada de uma comunicação clara entre os envolvidos para evitar que a distância física ou a ausência de mensagens frequentes sejam interpretadas como desinteresse ou negligência afetiva.