A obsessão pelo sono perfeito pode estar prejudicando sua saúde
Busca obsessiva por métricas ideais de descanso e uso de tecnologia geram ansiedade e pioram a qualidade do sono.
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O esforço excessivo para monitorar e otimizar o descanso noturno, por meio de dispositivos tecnológicos e suplementos, tem gerado um efeito contrário ao esperado, comprometendo a qualidade do sono em vez de melhorá-la.
O fenômeno, que tem sido associado ao termo clínico ortossônia, descreve a busca obsessiva por métricas ideais de descanso. O que antes era um processo natural tornou-se uma fonte de ansiedade, com o uso constante de máquinas de ruído branco, suplementos como magnésio e rastreadores de atividades físicas.
A popularização desses dispositivos começou a ganhar tração com o lançamento do Fitbit Classic em 2009, o primeiro a integrar a análise de sono. Desde então, o mercado de rastreadores expandiu, levando usuários a monitorar cada fase de sua noite de forma rigorosa.
Um exemplo desse comportamento é o caso de Jess Hill, que relatou ter passado três anos obcecada pelos dados fornecidos por seu dispositivo Garmin. A busca por números que atestassem um sono de alta qualidade acabou gerando o impacto oposto ao bem-estar pretendido.
Especialistas alertam para a falta de precisão dessas ferramentas, chegando a afirmar que as pontuações geradas por muitos aparelhos são, na prática, inventadas. A recomendação atual é manter a simplicidade na rotina noturna, evitando a dependência de dados tecnológicos que, muitas vezes, não refletem a real necessidade do organismo.
A reportagem, originalmente escrita por Ashitha Nagesh para a BBC News e publicada pela Folha de S.Paulo em 6 de setembro de 2026, reforça que, para dormir bem, não é necessário recorrer a artifícios complexos de medição.