Uso de antibiótico preventivo contra ISTs gera debate em São Francisco
Antibiótico como prevenção de ISTs avança em São Francisco, mas levanta debates sobre resistência bacteriana.
Foto: Reprodução
A estratégia de utilizar a doxiciclina como pílula pós-exposição (Doxy-PEP) para prevenir infecções sexualmente transmissíveis tornou-se uma prática amplamente adotada em São Francisco, levantando questões sobre eficácia e resistência bacteriana.
O protocolo consiste na ingestão do antibiótico em até 72 horas após relações sexuais sem preservativo. Dados indicam que a medida reduz significativamente a incidência de clamídia e sífilis, embora os resultados contra a gonorreia apresentem maior variabilidade.
São Francisco foi pioneira nos Estados Unidos ao estabelecer diretrizes para o uso da Doxy-PEP em outubro de 2022. Em maio de 2026, o Departamento de Saúde Pública local expandiu a elegibilidade do tratamento para incluir mulheres cisgênero e outras pessoas designadas como sexo feminino ao nascer.
Apesar dos benefícios na prevenção, especialistas alertam para os riscos a longo prazo. A Dra. Annie Luetkemeyer, pesquisadora da Universidade da Califórnia em São Francisco, destaca que o uso contínuo de antibióticos pode favorecer o surgimento de bactérias resistentes, como o Staphylococcus aureus.
Luetkemeyer, que lidera um estudo em cinco cidades americanas para monitorar o impacto dessa prática, observa que já foram detectados sinais de resistência à doxiciclina em casos de Staphylococcus aureus. Segundo a médica, a comunidade científica precisa manter cautela, visto que os antibióticos são recursos finitos e a resistência antimicrobiana é uma preocupação crescente para a saúde pública.
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