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Testosterona: Tratamento pode comprometer fertilidade masculina?

Uso de hormônio para fins estéticos ou terapêuticos levanta preocupações sobre efeitos a longo prazo na produção de espermatozoides.

The Health Brief 10 Aug 2026
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Uso de hormônio para fins estéticos ou terapêuticos levanta preocupações sobre efeitos a longo prazo na produção de espermatozoides.

O uso de terapia de reposição de testosterona, cada vez mais comum não apenas para tratar deficiências hormonais, mas também para fins estéticos e de bem-estar, tem gerado debates na comunidade médica sobre seus potenciais efeitos colaterais, especialmente no que diz respeito à fertilidade masculina. Embora a testosterona seja fundamental para o desenvolvimento e manutenção das características sexuais masculinas, a administração exógena em níveis suprafisiológicos ou prolongados pode desencadear uma série de respostas biológicas que impactam negativamente a capacidade reprodutiva.

A produção de testosterona no corpo masculino é regulada por um complexo eixo hormonal que envolve o hipotálamo, a hipófise e os testículos. O hipotálamo libera o hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), que estimula a hipófise a produzir hormônio luteinizante (LH) e hormônio folículo-estimulante (FSH). O LH, por sua vez, sinaliza aos testículos para produzirem testosterona, enquanto o FSH é crucial para a espermatogênese, o processo de formação de espermatozoides.

Quando a testosterona é administrada externamente, seja por meio de injeções, géis ou adesivos, ela atinge níveis elevados no sangue. Esse aumento exógeno é detectado pelo hipotálamo e pela hipófise, que interpretam a situação como um excesso de testosterona circulante. Como resultado, a produção de GnRH, LH e FSH é suprimida. A redução do LH e, principalmente, do FSH tem um impacto direto na função testicular. O FSH é essencial para estimular as células de Sertoli nos testículos, que nutrem e apoiam o desenvolvimento dos espermatozoides. Sem o estímulo adequado do FSH, a espermatogênese pode ser significativamente prejudicada ou até mesmo interrompida.

Essa supressão do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal é um mecanismo de feedback negativo natural do corpo. No entanto, quando a terapia com testosterona é mantida por longos períodos, essa supressão pode levar a uma redução drástica na contagem de espermatozoides, um quadro conhecido como azoospermia (ausência de espermatozoides no ejaculado) ou oligozoospermia (baixa contagem de espermatozoides). Em alguns casos, essa infertilidade induzida pela testosterona pode ser reversível após a interrupção do tratamento, mas a recuperação completa da fertilidade pode levar meses ou até anos, e em alguns indivíduos, a recuperação pode não ser total.

A preocupação com a fertilidade se estende a homens que utilizam a testosterona para fins não médicos, como o aumento da massa muscular em praticantes de atividades físicas ou para combater os efeitos do envelhecimento sem uma indicação clínica clara. A automedicação ou o uso sob supervisão inadequada podem mascarar problemas de saúde subjacentes e levar a consequências indesejadas. A busca por um corpo "ideal" ou por uma melhora no desempenho físico não deve comprometer a capacidade reprodutiva a longo prazo.

É fundamental que homens que consideram a terapia com testosterona discutam abertamente com seus médicos sobre os riscos e benefícios, incluindo o impacto na fertilidade. Exames prévios para avaliar os níveis hormonais e a qualidade do sêmen são recomendados, assim como um acompanhamento médico rigoroso durante todo o tratamento. Para aqueles que desejam preservar a fertilidade, existem opções como a criopreservação de espermatozoides antes de iniciar a terapia hormonal.

A ciência continua a investigar os mecanismos precisos e a extensão da reversibilidade da infertilidade induzida pela testosterona. Enquanto isso, a mensagem para a população masculina é clara: a saúde reprodutiva deve ser tratada com a seriedade que merece, e qualquer intervenção hormonal deve ser cuidadosamente avaliada e monitorada por profissionais de saúde qualificados. A busca por bem-estar e saúde deve ser integral, contemplando não apenas a aparência ou o desempenho, mas também a capacidade de perpetuar a espécie.

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