Tatuagens sob análise: o que a ciência sabe sobre os riscos
Estudos apontam possíveis riscos à saúde e efeitos no sistema imunológico, mas cientistas pedem cautela na interpretação dos dados.
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Com a popularização da prática, que atinge quase metade dos adultos norte-americanos entre 30 e 49 anos, pesquisadores intensificam estudos para compreender como os pigmentos interagem com o sistema imunológico e quais seriam os impactos a longo prazo para a saúde humana.
Um dos pontos centrais da investigação científica é a composição química das tintas. Estudos indicam que o organismo pode absorver pigmentos através de células imunes, o que gera inflamações nos gânglios linfáticos que persistem por até dois meses. Além disso, há indícios de que esse processo possa interferir na eficácia de determinadas vacinas.
A relação entre a arte corporal e o desenvolvimento de doenças oncológicas tem sido objeto de pesquisas observacionais. Um estudo sueco de 2024, conduzido pela pesquisadora Christel Nielsen, da Universidade de Lund, apontou uma possível associação entre tatuagens e o risco de linfoma. No entanto, a própria autora ressalta que o risco absoluto é muito baixo e que os dados não comprovam uma relação de causalidade direta.
Especialistas brasileiros reforçam a necessidade de cautela ao interpretar esses resultados. Arthur Braga, hematologista do A.C. Camargo Câncer Center, afirma que é preciso aguardar estudos mais aprofundados antes de qualquer recomendação ao público geral. Na mesma linha, Carlos Chiattone, coordenador do Comitê de Linfomas da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, destaca a complexidade dos dados epidemiológicos e a importância de identificar possíveis fatores confundidores.
Historicamente, o debate sobre a segurança das tatuagens esbarra na escassez de conhecimento sobre os efeitos prolongados das substâncias químicas injetadas na pele. A discussão também abrange a biossegurança em estúdios, com especialistas defendendo protocolos mais rigorosos de rastreamento de materiais, como lotes e validades, para facilitar o monitoramento de eventuais reações adversas.