SUS não inclui canetas emagrecedoras em sua lista de medicamentos
SUS ignora "canetas emagrecedoras" e deixa milhões sem acesso a tratamento inovador para obesidade.
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Apesar da crescente demanda por tratamentos para obesidade, o Sistema Único de Saúde (SUS) não oferece nenhum tipo de medicamento injetável para emagrecimento, popularmente conhecidos como "canetas emagrecedoras". A decisão reflete a complexidade da incorporação de novas tecnologias e medicamentos no sistema público, que prioriza critérios de custo-efetividade e impacto na saúde da população.
A ausência dessas medicações na lista do SUS levanta questionamentos sobre o acesso a tratamentos inovadores para uma condição crônica que afeta milhões de brasileiros. As chamadas "canetas emagrecedoras", que contêm substâncias como a semaglutida, têm ganhado destaque na mídia e entre pacientes por sua eficácia em auxiliar na perda de peso. No entanto, o alto custo desses medicamentos, que podem ultrapassar os R$ 800 por unidade, torna seu acesso restrito àqueles que podem arcar com o tratamento particular.
A incorporação de novos medicamentos no SUS é um processo rigoroso, conduzido pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A análise leva em conta evidências científicas sobre a segurança e eficácia do medicamento, além de sua relação custo-efetividade em comparação com as terapias já disponíveis. Para doenças crônicas como a obesidade, que demandam tratamentos de longo prazo, a sustentabilidade financeira para o sistema público é um fator determinante.
Especialistas apontam que a obesidade é uma doença complexa, multifatorial, que requer abordagens integradas. A prescrição de medicamentos, mesmo quando disponíveis, deve ser parte de um plano terapêutico mais amplo, que inclua mudanças no estilo de vida, acompanhamento nutricional e psicológico. A dependência exclusiva de medicamentos para emagrecimento pode não ser a solução mais adequada a longo prazo e pode gerar expectativas irreais.
O contexto global também influencia as decisões de saúde pública. Notícias recentes indicam um alerta de médicos na França sobre o aumento de procedimentos estéticos clandestinos após mortes de pacientes, evidenciando os riscos de tratamentos não regulamentados e a importância de um sistema de saúde robusto e seguro. Embora as "canetas emagrecedoras" não se enquadrem diretamente nessa categoria, a preocupação com a segurança e eficácia de tratamentos médicos é um ponto comum.
A discussão sobre a inclusão de medicamentos para obesidade no SUS não é nova. A obesidade é reconhecida como um problema de saúde pública com graves consequências, como o aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, apneia do sono e diversos tipos de câncer. O tratamento adequado da obesidade pode reduzir a incidência dessas comorbidades, gerando economia para o sistema de saúde a longo prazo.
No entanto, a incorporação de tecnologias de alto custo, como as novas gerações de medicamentos para emagrecimento, enfrenta desafios orçamentários significativos. O SUS já lida com a demanda por tratamentos para outras doenças crônicas e infecciosas, além de campanhas de vacinação, como a Nacional de Multivacinação que teve início em agosto de 2026, demonstrando a amplitude de responsabilidades do sistema.
A falta de acesso a tratamentos eficazes para a obesidade no sistema público pode levar a um aumento da desigualdade em saúde, onde apenas aqueles com recursos financeiros podem se beneficiar das terapias mais recentes. Isso pode perpetuar um ciclo de estigmatização e dificuldades para indivíduos que lutam contra o excesso de peso.
É fundamental que o debate sobre a inclusão de medicamentos para obesidade no SUS seja pautado por evidências científicas sólidas, análise de custo-efetividade e sustentabilidade financeira. Paralelamente, é preciso fortalecer as ações de prevenção e promoção da saúde, incentivando hábitos de vida saudáveis desde a infância e oferecendo suporte multidisciplinar para o manejo da obesidade. A busca por um peso saudável é um caminho que exige acompanhamento profissional qualificado e um sistema de saúde preparado para oferecer as melhores opções terapêuticas disponíveis, dentro de suas capacidades e prioridades.