Surto de ebola na RDC supera 4 mil mortes e enfrenta crise
Incêndio em centro de tratamento e greve de profissionais agravam crise de ebola que já ultrapassa 4 mil mortes.
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O surto de ebola na República Democrática do Congo atingiu a marca de 4.018 óbitos, com 8.300 casos confirmados até o dia 1º de outubro de 2026. A situação, que já é considerada a propagação mais rápida da história da doença, enfrenta novos obstáculos logísticos e operacionais.
No início desta semana, um centro de trânsito para pacientes localizado em Kigonze, nos arredores de Bunia, foi incendiado por soldados durante uma operação de busca por armas. O incidente provocou a fuga de 19.000 pessoas que estavam no local. As Nações Unidas classificaram o episódio como um agravante severo para os esforços de contenção da epidemia na província de Ituri.
Paralelamente à crise de segurança, o combate ao vírus, causado pela variante Bundibugyo, é prejudicado por greves de profissionais de saúde. Em Bunia, equipes de vigilância protestam contra o atraso no pagamento de salários referentes aos meses de agosto e setembro. Manifestantes exibiram cartazes com frases como 'Sem dinheiro, sem dados' e 'Sem pagamento há meses'.
Biongi Beiza, um dos profissionais em greve, afirmou que a administração não forneceu explicações sobre a falta de repasses financeiros. Julien Harneis, coordenador sênior de ebola da ONU na região, reforçou que o desafio de deter a disseminação da doença tornou-se ainda mais complexo diante desses eventos.
O cenário atual é marcado por um acúmulo de dificuldades, incluindo a desconfiança da população local, casos de corrupção e a persistente instabilidade na região. Desde a declaração do surto, em 15 de maio de 2026, as autoridades de saúde lutam para controlar a transmissão do vírus, para o qual ainda não existem vacinas ou tratamentos conhecidos.