Sobrevivente de câncer de pulmão questiona foco em estatísticas
Terapias inovadoras salvam vidas, mas acesso desigual e foco em sobrevivência deixam outros pacientes para trás.
(Reprodução/STAT News)
A trajetória de Janet Freeman-Daily, que vive há 15 anos com câncer de pulmão graças a uma terapia alvo, expõe o abismo entre o sucesso clínico individual e a realidade enfrentada por outros pacientes com o mesmo diagnóstico.
Ex-engenheira aeroespacial e fundadora da organização The ROS1ders, Freeman-Daily foi uma das primeiras pacientes a identificar a mutação ROS1, o que permitiu seu acesso a um ensaio clínico com o medicamento crizotinib. Desde então, a droga tem mantido a doença sob controle, um resultado que ela descreve como um milagre, mas que lamentavelmente não se repete para todos os seus pares.
A paciente ressalta que a disparidade nos resultados está frequentemente ligada à falta de acesso universal a exames de biomarcadores, à escassez de especialistas focados em subtipos raros de câncer e à dificuldade de ingresso em ensaios clínicos avançados.
Em reflexão sobre sua experiência, Freeman-Daily aponta uma falha na abordagem médica atual. Segundo ela, a pesquisa científica prioriza excessivamente o rastreamento de dados de sobrevivência, negligenciando a qualidade de vida daqueles que conseguem sobreviver à doença.
Apesar de seu caso bem-sucedido, a fundadora da organização mantém uma visão realista sobre o cenário atual, expressando o desejo de que, no futuro, o acesso a tratamentos eficazes seja democratizado para que mais pessoas possam alcançar resultados semelhantes aos que ela obteve.
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