Reconstrução mamária no SUS: apenas 17% das pacientes oncológicas aces
Apenas 17% das pacientes com câncer de mama no SUS realizaram o procedimento em uma década, apontando falhas na oferta e acesso.
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Em uma década, um percentual ínfimo de mulheres que enfrentaram o câncer de mama no Brasil teve acesso à reconstrução mamária pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Dados revelam que, entre 2016 e 2026, apenas 17% das pacientes passaram pelo procedimento, evidenciando um gargalo significativo na oferta e na efetivação de um direito que visa à integralidade do tratamento e à recuperação da autoestima.
A reconstrução mamária, quando indicada, é parte fundamental do processo de reabilitação de mulheres que tiveram suas mamas removidas em decorrência do câncer. A cirurgia, que pode ser realizada no mesmo momento da mastectomia ou posteriormente, busca restaurar a forma e o volume da mama, auxiliando na recuperação da imagem corporal e na melhora da qualidade de vida. No entanto, a baixa adesão ao procedimento no SUS sugere uma série de desafios que vão desde a infraestrutura hospitalar até a conscientização sobre a disponibilidade do serviço.
A discrepância entre a necessidade e a oferta de reconstruções mamárias no sistema público de saúde é um reflexo de questões estruturais complexas. A falta de cirurgiões plásticos habilitados em número suficiente para atender à demanda em todas as regiões do país é um dos principais obstáculos. Além disso, a disponibilidade de leitos hospitalares adequados e de materiais específicos para os diferentes tipos de reconstrução também pode ser limitada, impactando diretamente o tempo de espera e a viabilidade dos procedimentos.
A jornada da paciente oncológica no SUS, mesmo quando bem-sucedida no tratamento do câncer, frequentemente se depara com barreiras adicionais para a completa reabilitação. A reconstrução mamária, embora prevista em lei e considerada um direito da paciente, muitas vezes esbarra na burocracia, na falta de informação clara sobre como acessá-la e na escassez de centros de referência capazes de oferecer o procedimento de forma padronizada e de qualidade.
Especialistas apontam que a demora na realização da reconstrução pode ter um impacto psicológico severo, prolongando o sofrimento e a dificuldade de reintegração social e pessoal. A imagem corporal alterada após a mastectomia pode gerar sentimentos de perda, insegurança e baixa autoestima, afetando relacionamentos e a própria percepção de feminilidade. A reconstrução, nesse contexto, não é apenas um procedimento estético, mas uma ferramenta terapêutica essencial.
A análise dos dados dos últimos dez anos levanta um alerta sobre a necessidade de investimentos e políticas públicas mais eficazes para garantir que o direito à reconstrução mamária seja, de fato, acessível a todas as mulheres que necessitam. É fundamental que o SUS amplie sua capacidade de oferta, capacite mais profissionais e agilize os processos para que o tempo de espera não se torne mais um fardo para essas pacientes.
A discussão sobre a reconstrução mamária no SUS também se insere em um contexto mais amplo de atenção integral à saúde da mulher, que deve abranger desde a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer até o acompanhamento pós-tratamento e a reabilitação completa. A garantia de acesso a procedimentos como a reconstrução mamária é um passo crucial para assegurar que as mulheres que enfrentam o câncer de mama possam retomar suas vidas com dignidade e plenitude.
Apesar dos desafios, a conscientização sobre a importância da reconstrução mamária e a luta por sua democratização no SUS continuam sendo pautas urgentes. É preciso que a sociedade e os gestores públicos reconheçam a relevância deste procedimento para a qualidade de vida das pacientes e trabalhem ativamente para superar as barreiras existentes, transformando a realidade para que mais mulheres possam se beneficiar desse direito fundamental.