Produtos de limpeza perfumados podem gerar poluição invisível
Aromas de limpeza doméstica reagem com ozônio e criam nanopartículas que invadem o sistema respiratório.
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Estudo apresentado na reunião da American Chemical Society revela que substâncias aromáticas em itens de higiene doméstica reagem com o ozônio, criando nanopartículas que atingem os pulmões.
A pesquisa, liderada pelo professor Brandon Boor da Purdue University, identificou que a combinação de fragrâncias presentes em produtos convencionais ou botânicos com o ozônio interno resulta na formação rápida de bilhões de nanopartículas. Esse processo ocorre em questão de minutos, gerando concentrações que podem chegar a 100 milhões de partículas por centímetro cúbico.
As partículas formadas possuem entre 1 e 30 nanômetros de diâmetro, dimensões pequenas o suficiente para penetrar profundamente no sistema respiratório. Segundo os pesquisadores, a dose inalada em ambientes fechados após o uso desses produtos pode ser equivalente ou superior à exposição enfrentada por pedestres próximos a vias de tráfego intenso.
O professor Brandon Boor ressalta que, embora a limpeza seja essencial para remover vírus e bactérias, o processo pode gerar uma poluição invisível. O fenômeno ocorre sem a presença de fumaça ou poeira visível, o que dificulta a detecção por monitores de qualidade do ar convencionais utilizados em residências.
Os resultados foram apresentados em agosto de 2026 durante um simpósio em Chicago e ainda aguardam publicação em periódico revisado por pares. Como medida preventiva, a equipe recomenda a escolha de produtos sem fragrância, o uso de exaustores, a abertura de janelas para ventilação e a interrupção do uso simultâneo de dispositivos geradores de ozônio com produtos perfumados.