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Ouvido: o perigo do cotonete e a limpeza segura

Especialistas alertam para os perigos do uso de cotonetes e indicam métodos seguros para a higiene do canal auditivo.

The Health Brief 29 Jul 2026
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

A busca por higiene e bem-estar frequentemente leva a práticas que, na verdade, podem ser prejudiciais. No caso da limpeza dos ouvidos, o uso indiscriminado do cotonete é um dos hábitos mais comuns e, ao mesmo tempo, mais questionados por especialistas. A Folha, em matéria publicada em 28 de julho de 2026, aborda a questão, alertando para os riscos e apresentando métodos adequados para a higienização do canal auditivo.

A ideia de que o cotonete é a ferramenta ideal para remover o cerúmen, popularmente conhecido como cera de ouvido, é um mito persistente. Na verdade, a maioria dos otorrinolaringologistas desaconselha veementemente seu uso. O principal problema reside na forma como o cotonete atua: em vez de extrair a cera, ele tende a empurrá-la para o fundo do canal auditivo. Essa compactação pode levar à formação de um tampão de cerúmen, que causa sintomas incômodos como perda auditiva temporária, zumbido, dor e até mesmo tontura.

Além do risco de obstrução, a inserção do cotonete no ouvido pode causar lesões. A pele do canal auditivo é extremamente delicada e fina. A fricção ou a perfuração acidental com o algodão podem resultar em arranhões, inflamações e, em casos mais graves, perfuração do tímpano. Uma perfuração timpânica pode ter consequências sérias, incluindo infecções e perda auditiva permanente. O contexto web complementar, embora trate de outros temas como teoria do apego e casos de sarampo, reforça a importância de buscar informações confiáveis e baseadas em evidências para a saúde, desmistificando crenças populares que podem ser danosas.

É fundamental entender que o cerúmen não é uma substância suja ou indesejada. Ele desempenha um papel protetor crucial para o ouvido. Sua função é lubrificar o canal auditivo, reter poeira, sujeira e partículas estranhas, além de possuir propriedades antibacterianas que ajudam a prevenir infecções. O próprio organismo possui um mecanismo natural de autolimpeza: os movimentos da mandíbula, como mastigar e falar, auxiliam na migração lenta da cera do interior do ouvido para a parte externa, onde ela se desintegra ou é facilmente removida.

Diante disso, qual seria a forma correta de limpar os ouvidos? A recomendação médica é, em grande parte, não fazer nada. Para a maioria das pessoas, o ouvido se limpa sozinho. A higienização externa, com uma toalha úmida ou um pano macio após o banho, é suficiente para remover o excesso de cera que chega à entrada do canal auditivo.

Em situações onde há acúmulo excessivo de cerúmen, que pode ser causado por fatores como o uso de aparelhos auditivos, cotonetes (paradoxalmente), ou por uma produção natural mais intensa, é importante procurar um profissional de saúde. O otorrinolaringologista é o especialista capacitado para avaliar a condição do ouvido e realizar a limpeza de forma segura e eficaz. Métodos como a irrigação com soluções específicas ou a remoção instrumental são opções disponíveis em ambiente clínico.

Existem também produtos de venda livre que prometem auxiliar na limpeza do ouvido, como gotas otológicas. No entanto, seu uso deve ser feito com cautela e, preferencialmente, sob orientação médica. Algumas dessas soluções podem amolecer a cera, facilitando sua remoção natural, mas outras podem causar irritação ou não ser adequadas para todos os tipos de ouvido.

A busca por uma higiene impecável não deve comprometer a saúde. No caso dos ouvidos, a simplicidade e a confiança nos mecanismos naturais do corpo, aliadas à consulta médica quando necessário, são as melhores estratégias. Ignorar os conselhos de especialistas e persistir em práticas potencialmente danosas, como o uso frequente de cotonetes, pode trazer mais problemas do que soluções. A informação correta, como a apresentada pela Folha, é a chave para manter a saúde auditiva em dia.

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