Onda de calor mata 120 mil no Brasil em duas décadas
Estudo da Fiocruz aponta que eventos extremos de calor causaram 120 mil mortes no país em duas décadas, com projeções preocupantes.
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Estudo da Fiocruz revela o impacto devastador das altas temperaturas na saúde pública brasileira ao longo de 20 anos, com projeções alarmantes para o futuro.
As ondas de calor representam uma ameaça crescente à saúde pública no Brasil, com um saldo trágico de aproximadamente 120 mil mortes registradas ao longo das últimas duas décadas. A constatação é de um estudo recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que lança luz sobre o impacto severo das temperaturas extremas na população brasileira e aponta para a urgência de medidas de adaptação e mitigação. Os dados, analisados em um período de 20 anos, indicam uma tendência preocupante de aumento na mortalidade associada a eventos de calor intenso, um fenômeno que se agrava com as mudanças climáticas globais.
O levantamento da Fiocruz, divulgado em junho de 2026, detalha que as mortes atribuídas a ondas de calor não se restringem apenas a idosos ou indivíduos com doenças preexistentes. Embora esses grupos sejam mais vulneráveis, o estudo aponta que pessoas de todas as idades e condições de saúde podem sofrer consequências graves, incluindo insolação, desidratação severa, exaustão pelo calor e agravamento de condições cardiovasculares e respiratórias. A análise abrange um período que vai de 2006 a 2026, consolidando um histórico alarmante da mortalidade relacionada ao calor.
A pesquisa da Fiocruz destaca que a frequência e a intensidade das ondas de calor têm aumentado significativamente no Brasil, um reflexo direto do aquecimento global. As cidades, com suas ilhas de calor urbanas, tornam-se particularmente propensas a esses eventos, concentrando populações em áreas com menor cobertura vegetal e maior quantidade de superfícies que absorvem e retêm calor. A falta de infraestrutura adequada para lidar com temperaturas extremas, como acesso a ar condicionado em moradias e locais de trabalho, e a escassez de áreas verdes para amenizar o calor, contribuem para a vulnerabilidade de grande parte da população.
O estudo também sugere que os números oficiais podem subestimar o real impacto das ondas de calor. Muitas mortes podem ser atribuídas indiretamente ao calor, com as altas temperaturas atuando como um fator desencadeante ou agravante de outras condições de saúde. A desidratação, por exemplo, pode levar a falências de órgãos, e o estresse térmico pode descompensar doenças crônicas, resultando em óbitos que não são diretamente registrados como causados pelo calor.
Diante deste cenário, a Fiocruz reforça a necessidade de políticas públicas mais robustas para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas. Entre as medidas apontadas estão o aprimoramento dos sistemas de alerta precoce para ondas de calor, a criação de planos de contingência para proteger as populações mais vulneráveis, o investimento em infraestrutura urbana resiliente ao clima, como telhados verdes e pavimentos permeáveis, e a ampliação de espaços públicos arborizados. Além disso, campanhas de conscientização sobre os riscos do calor extremo e as formas de prevenção são consideradas essenciais.
A pesquisa da Fiocruz se alinha a discussões globais sobre a saúde e o clima. Eventos recentes, como a investigação de um médico por suspeita de omissão após mortes de uma gestante e seu filho em Minas Gerais, em junho de 2026, embora focados em um caso específico, evidenciam a fragilidade do sistema de saúde em lidar com emergências, que podem ser exacerbadas por condições climáticas adversas. Da mesma forma, avanços em terapias inovadoras, como as que o Instituto Butantan e a USP testam contra doenças autoimunes, demonstram o potencial da ciência em combater problemas de saúde, mas a prevenção e a adaptação climática surgem como pilares fundamentais para a saúde coletiva em um planeta em aquecimento.
O estudo da Fiocruz serve como um alerta contundente sobre a necessidade de ações imediatas e coordenadas. Ignorar o impacto das ondas de calor significa perpetuar um ciclo de perdas humanas e sobrecarregar ainda mais o sistema de saúde. A adaptação às novas realidades climáticas não é mais uma opção, mas uma necessidade imperativa para garantir a segurança e o bem-estar da população brasileira nas próximas décadas. A projeção para o futuro, caso as emissões de gases de efeito estufa continuem em alta, é de um aumento ainda maior na frequência e intensidade desses eventos, tornando a questão do calor extremo um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI.